sábado, 6 de novembro de 2010

Loja das Meias






LOJA DAS MEIAS

HISTÓRIA

Inaugurada em 1905, no Rossio, a Loja das Meias começou somente com as especialidades de meias e espartilhos. A sua história estará sempre associada à historia da cidade de Lisboa e à cultura dos Lisboetas, uma vez que esta trouxe o bom gosto, a classe, e o requinte.

Esta loja, ao longo dos anos, foi sofrendo remodelações e inovações que sempre causaram sensação.

Na década de 20, foi-lhe instalado o primeiro elevador em estabelecimentos comerciais e aumentadas as montras. A Loja das Meias é também conhecida pelas suas fantásticas montras, montras essas de grande importância onde foi introduzido o conceito de montra temática.

Por volta de 1933, a loja é ampliada e criadas novas secções. É o caso da Secção de Perfumaria, a Secção de Acessórios, com carteiras, cintos e bijuteria, a Confecção de senhora por medida. Aparecem também as primeiras meias de vidro (nylon) que fizeram grande sensação na época.


Com o inicio da Segunda Guerra Mundial, várias personalidades, como é o caso de Elsa Schiaparelli, Duque de Windsor, Jean Renoir, Guillermina Surggia, entre outros, passaram por Lisboa e foram clientes da Loja das Meias.

Na década de 60 a Loja das Meias soube aproveitar a prosperidade e originalidade da época e fez a sua terceira remodelação, este passo, por sua vez, modernizou e ampliou a loja, dando um grande desenvolvimento comercial: o aparecimento das mais conceptuadas marcas internacionais e a criação do primeiro balcão da Estée Lauder em Portugal.

Os anos 60 trouxeram um grande poder de compra aos jovens, a própria loja adaptou-se a este tipo de clientela, oferecendo uma impressionante selecção de pronto-a-vestir, importando sobretudo da talia, França e Inglaterra. Introduziu também grandes marcas como Daniel Hechter, Charles Maudret, Christian Dior, Mary Quant, Led Lapidus, entre outras.

Na secção de acessórios começam a ser comercializados sapatos Christian Dior, e é criado um novo sector de vendas- artisgos Sportswear.

No final dos anos 60, a Loja das Meias introduziu pela primeira vez em Portugal os jeans, da marca Levi’s.


Por volta de 1971, a Loja das Meias abriu o seu segundo estabelecimento num centro comercial, na Rua Castilho. Com o 25 de Abril, parte do seu stock era produzido em Portugal, o que deu grande impulso a imensas fábricas de confecções portuguesas.

Em 1981, a Loja das Meias expande-se mais uma vez, abrindo o seu terceiro estabelecimento no Centro Comercial das Amoreiras, e em 1995, esta abre no centro histórico de Cascais.

Ao longos dos anos, a Loja das Meias continuou a sofrer alterações e remodelações, que ajudaram a manter os seus estabelecimentos sofisticados e acolhedores.

Em 2007 dá-se o encerramento do primeiro estabelecimento da Loja das Meias, situado no Rossio.




CONCEITO

A Loja das Meias foi ao longo das décadas um local obrigatório de passagem, tornando-se num ícone de moda em Portugal. Destacando-se pela sua qualidade, modernidade, exclusividade e inovação, esta está aliada a grandes nomes da alta costura internacional – Stella McCartney, Boss, Dior, Dolce&Gabbana, Lanvin, Marc Jacobs, Prada, entre outros.

Esta tem disponível não só peças de vestuário, como também produtos de beleza e acessórios; a Loja das Meias apresenta os serviços de Alfaiataria, Camisaria, Centro de Beleza Estée Lauder e Espaço Spa. A loja é direccionada para um determinado tipo de clientes, clientes esses com algum poder económico, visto que os preços dos artigos disponiveis são bastante elevados.

Reconhecida pela sua fantástica apresentação, esta renovou-se ao longo dos tempos, acompanhando gerações, tendências e épocas.


A Loja das Meias foi pioneira na criação das montras temáticas em Portugal, apresentando-as sempre com a maior qualidade e bom gosto, deliciando o olhar dos consumidores.

As suas montras tornaram-se icónicas pela sua grandiosidade e requinte. O seu ambiente transparece sempre o ar clássico, mas ao mesmo tempo contemporâneo da loja, através da luminosidade, decoração, texturas e atendimento.

O objectivo da Loja das Meias é criar um ambiente completo, que fique dentro das mentes das pessoas, provocando os sentimentos certos.

«Design is everywhere, and everywhere is now designed.»



NÁDIA DOMINGOS

7301



terça-feira, 2 de novembro de 2010

CULTURA CULTIVADA - André Moreira

Harajuku Style

Harajuku é a área conhecida em volta da “Estação de Harajuku” no município de Shibuya, em Tóquio.
Todos os domingos, jovens envergando os famosos street styles japoneses reunem-se em Harajuku para socializar e, com sorte, serem fotografados.



Os estilos destes jovens raramente se podem definir ou associar a uma orientação espicífica, são antes uma mistura de diversas inspirações, asiáticas e ocidentais, que fazem de Harajuku uma das capitais da moda mais “particulares” do mundo.



A street fashion por lá passeada todas as semanas é divulgada no Japão e internacionalmente por publicações como a Kera, TUNE, Gothic & Lolita Bible, e noutras ainda que mais ocasionalmente, sendo a revista FRUiTS, a mais reconhecida dentro do género.



Esta revista foi criada por Shoichi Aoki em 1997, com fotografias de rua capturando a moda radical japonesa de Harajuku, que inspirou designers por todo o mundo.
Hoje em dia, a FRUiTS é uma fanzine de culto para os seguidores das subculturas desenvolvidas ao longo dos anos em Tóquio, entre as quais o punk e cyber, decora e kawaii (estilo “cute”), ganguro (beach look), kogal (colegial), visual kei (“estilo visual”), roupa inspirada em personagens animadas (anime cosplay) é também bastante popular, assim como o “hand-made style”, e muitas outras variações e subgéneros.

A moda em Harajuku é de tal modo criativa e diferente do que se vê em outras capitais da moda, que tudo o que lá surge se pode designar como “harajuku style”: basicamente, um “mix and match” de peças de grandes marcas com roupa vintage, com uma incomparável inspiração dos trajes japoneses trazidos para a actualidade, sem esquecer a permanente e forte presença das diferentes subculturas.



Harajuku é também um grande distrito comercial que inclui marcas de renome internacional, as suas próprias marcas - a maioria nascida no boom dos anos 80 e 90 e as que ainda se conseguem manter activas - e também lojas com roupas em segunda-mão, ou com artigos mais em conta, especialmente vocacionadas para os jovens com, naturalmente, menos fundos.

Para aprofundar o desenvolvimento da moda neste local há que remontar ao final dos anos 40, em que Harajuku passou de um terreno baldio (depois da II Guerra Mundial) para a zona de habitação dos soldados americanos, chamada Washington Heights.
Durante os Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964, Washington Heights foi usada como aldeia olímpica, o que deu uma nova vida à zona.
No início dos anos 70, revistas de moda como a Anan e Non-on, divulgaram a imergência do novo "bairro chic", ao mesmo tempo que a recente estação de metro construída nas proximidades, aumentou o tráfego pedonal.

O “Paraíso Pedestre” da moda pelo qual Harajuku é mais conhecida foi estabelecido em 1977, e no ano a seguir surgiu o agora conhecido complexo de moda, Laforet, seguido por um aumento no número de lojas de roupa.



Por volta dessa altura, a zona passou a ser conhecida por “Din Street” (rua do barulho), pois tornou-se a casa da crescente cena boémia que se vivia, e de vários artistas radicais amadores, devotos de street fashion.
Um desses grupos era designado por “takenoko-zoku” (tribo takenoko). O nome surgiu da música pela qual eram conhecidos, e que durante os anos 70 e 80 os juntava em Harajuku, onde demonstravam regularmente o seu estilo retro cool, que ainda hoje em dia é relembrado na loja de roupa Takenoko que se mantém desde então.



Infelizmente, durante os anos 90, a crise económica provocou incidentes culturais que, eventualmente, conduziram ao decréscimo dos artistas de rua no local, e o número de fãs de visual kei, rockabilies e punks também desceu gradualmente
Hoje em dia são raras as actuações de rua, mas ainda assim, os turistas ficam sempre surpreendidos com a quantidade de jovens que se exibem em Harajuku nos seus trajes criativos e teatrais.



Harajuku é tanto um local como uma tendência de moda; mas embora a tendência se capte actualmente noutras partes do mundo, em mais lado nenhum é tão popular como no seu local de origem.
Como noutras formas de moda, a intenção aqui é a liberdade de expressão pessoal, e embora o Japão não tenha um passado de abertura a novas ideias, o paradigma mudou.



Em Harajuku, não só os jovens se podem vestir sem pressões sociais – pelo menos um dia por semana -, como nem são as marcas que ditam as tendências, mas são sim as pessoas na rua que ditam o que as lojas devem vender.

Harajuku é um distrito único, de moda e entretenimento, não só em Tóquio, mas também noutras partes do mundo, pela forma caracterírtica como o público se relaciona com a moda, e pela relação singular que esta tem com o mercado.

Contudo, ao contrário do que se pode pensar do lado de fora, Harajuku não é só para os jovens fashionistas, mas para todos os gostos, com vários cafés e restaurantes temáticos, diversas lojas e boutiques, desde o mais caro ao mais barato – sendo todos os diferentes tipos de mercado divididos geograficamente por ruas dentro da zona.

El Ganso

El Ganso é uma marca espanhola que junta peças de vestuário e decoração, tudo num mesmo espaço. A marca foi fundada em 2004, em Madrid, pelos irmãos Clemente e Álvaro Cebrián, tem lojas espalhadas por toda a Espanha, mas também em França, Itália, Alemanha, Suíça, Japão e recentemente em Portugal. Abriu portas no Bairro Alto, Lisboa, na loja além de vestuário e acessórios podem-se adquirir diversas antiguidades coleccionadas por toda a Europa. Este é um novo conceito que junta moda e decoração, duas áreas cada vez mais coincidentes, para um público abrangente e variado. Todas as peças de vestuário e acessórios El Ganso são produzidos na Europa, unindo qualidade com preços acessíveis.

O universo inspiratório da marca são os anos 70 londrinos, o que se revela em padrões tartan e em conjugações adaptáveis a todo o tipo de gostos: do clássico e intemporal ao urbano e casual. A imagem que a loja apresenta diferencia-se por remeter de imediato ao estilo clássico com referência ao aspecto colonial inglês. As colecções, com peças tradicionais, transmitem atmosferas dos antigos cafés esfumaçados, polaroids desbotadas e manhãs de outono o frio.

No interior da loja El Ganso em Lisboa há peças que são alusivas a Inglaterra, como um tapete com a bandeira britânica logo na entrada da loja. As paredes são forradas a papel de parede semelhante ao papel milimétrico com cores suaves. Contudo as cores que estão presentes são todas escuras e muito esbatidas e a grande maioria são azuis, vermelho e branco. O mobiliário é sofisticado e antigo - como cadeiras de ferro e móveis expositores com ar gasto assim como as diversas referências desportivas clássicas com um cavalo e uma máscara de esgrima. Na loja há uma pequena parte com pequenas caveiras de animais com chifres que dão um estilo salão de caça. Livros e molduras antigas, muitos quadros de desenhos antigos e mapas do mundo criam ainda mais detalhe à decoração.

Esta imagem relaciona-se com o publico-alvo a que se dirige a loja, para um comprador com gostos clássicos com algumas combinações casuais.

“As roupas que veste são uma declaração de intenções, uma declaração, nunca um só olhar. Longe de mistura com a multidão, os espíritos el ganso é sobre o pé para fora, com o orgulho de ser diferente. Orgulhoso das raízes de onde veio e para onde estão indo.

Nunca é facilmente definível, já refinado na aparência.


MODALFA

A Modalfa faz parte do grupo Sonae Distribução, sendo deste 1995 a sua cadeia de distribuição têxtil. Situadas nos centros comerciais Modelo, de pequena dimensão, existem agora 92 lojas Modalfa em todo o país.

Inicialmente, a marca surgiu com pouco impacto no panorama da moda nacional, sendo que vendia essencialmente peças “básicas”, a baixo preço, mas onde o design não era um factor importante. Contudo, nos últimos anos assiste-se a um grande desenvolvimento no marketing e na publicidade da marca, sendo que já podemos encontrar em revistas de moda vários artigos bem como produções de moda.


Ao aceder ao site (www.modalfa.pt) , encontramos a marca bem apresentada, com o catálogo da estação dividido segundo as sub-marcas (Family Store, Just Casual, Just Urban, Just Body, Barred’s Colletion, Barred’s Sport, X’Plosion e Zippy), bem como as escolhas da revita Elle de vários looks femininos. Além disso, estão também disponíveis as várias iniciativas da marca, entre as quais o patrocínio dos concursos Projecto Moda e Modalfa Fashion Dream. Estes projectos ajudaram a lançar a marca para o panorama nacional, aumento a sua exposição e valorizando o conceito e qualidade.

A Modalfa tem um público alvo bastante vasto por oferecer vestuário masculino e feminino para todas as idades. Dentro da sua oferta podemos encontrar roupa casual, clássica, desportiva, interior, e, mais recentemente, roupa feminina mais trendy.

O catálogo online da marca passa uma imagem bem estruturada, com produções fotográficas muito apelativas e actuais. Este investimento na imagem da marca leva as pessoas a olharem para a Modalfa não só como a distribuidora têxtil do Modelo, mas como uma nova aposta na moda nacional onde é possível encontrar as tendências mais importantes da estação. Os preços continuam baixos e qualidade assemelha-se à de outras lojas com o mesmo tipo de preços.

Quanto ao espaço comercial em si, perde pelo escasso investimento na decoração, pois continua um espaço muito depurado, essencialmente “branco”. Não existe muito espaço vazio, sendo que a maioria está ocupada com expositores. No interior não existem manequins a exemplificar looks. Apenas na montra podemos ver alguma da oferta da marca, mas a simplicidade anula um pouco do carácter trendy que os catálogos online tentam passar. Podemos então concluir que a oferta online não coincide com o que se observa na montra das lojas.







imagem retirada do catálogo online Just Urban.


Joana Isabel Duarte
al 7290

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Faculdade de Arquitectura de Lisboa Moda e Mercado

Design de Moda Docente: Ana couto



De que forma as marcas comunicam com o consumidor através das lojas?

Neste trabalho a Loja da Louis Vuitton representa as marcas de luxo e a Zara as loja de marcas de massas.

Os estabelecimentos comerciais comunicam com os consumidores de todas as maneiras possíveis, sendo uma delas o próprio ponto de venda, ou seja as lojas. Os estabelecimentos passam vários tipos de mensagens ao consumidor de várias formas diferentes. As marcas de luxo, como a Louis Vuitton, comunicam o seu estatuto e o tipo de consumidor a que se dirigem através de vários “símbolos”, que podem passar despercebidas aos consumidores. O facto de muitas dessas lojas terem um porteiro, que tanto convida algumas pessoas a entrar, aquelas com poder social e/ou económico elevado, prováveis compradores, como faz com que outro tipo de consumidores, que não se encaixam no perfil de comprador da loja se sintam intimidados a entrar. Nessas lojas os empregados dirigem-se ao cliente assim que este entra na loja, disponibilizando-se para o ajudar.

A decoração das lojas também diferencia o seu estatuto, nas lojas de luxo o espaço é amplo, com móveis de cor clara, muito espaço livre e com poucos exemplares da mesma peça expostos

Nas lojas de marcas de massas, ou seja de preços acessíveis a um maior número de pessoas, o espaço é bastante mais reduzido e existem muito mais exemplares de cada peça de roupa, sendo que por vezes a roupa está até amontoada e em saldos, algo que não acontece na Louis Vuitton. Nestas lojas as portas encontram-se totalmente abertas e sem qualquer porteiro, convidando qualquer um a entrar sem se sentir minimamente intimidado, encontrando-se nas montras coordenados já montados, onde as peças estão literalmente “prontas-a-vestir”, no sentido em que nem sequer é necessário pensar numa combinação, pois esta já nos é proposta. O tipo de música e o volume das lojas também ajudam a diferenciar o tipo de loja, sendo que nas lojas de luxo a música está mais baixa e toca mais jazz e blues, enquanto que nas outras lojas o som está bastante mais alto e a musica é mais house.

Em suma, todos os aspectos das lojas são pensados de forma a criarem um ambiente que convide a entrar apenas o público-alvo de determinada marca, ou seja clientes habituais ou potenciais compradores. Para isso as lojas servem-se de várias estratégias que nem sempre são detectadas conscientemente, atraindo os consumidores de uma forma, quase instintiva, pois a maior parte dirige-se automaticamente, e sente-se mais à vontade, para lojas que se adequam ao nosso estatuto social e/ou económico.

A imagem que o consumidor tem de si relaciona-se directamente com o tipo de produtos que este compra, o ambiente das lojas é construído a partir deste conceito, formando um “nicho” que faz com que determinado indivíduo sinta de forma muito forte que esta a “representar” correctamente o seu papel comprando produtos de determinada loja, ou seja o próprio consumidor cria preconceitos acerca das lojas, porque todos os clientes são tratados de igual forma em lojas como a Louis Vuitton, sendo que muitas vezes é impossível distinguir uma pessoa com grande poder económico de outra sem esse tipo de poder.


Iúri Coelho Ano Lectivo 2010/ 2011

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